Formação de condutores: preocupação com a digitalização excessiva
A Federação Regional de Organizações e Empresas de Transporte de Múrcia (FROET) apresentou objeções ao processo de consulta pública prévio à modificação do Real Decreto 284 / 2021, que regulamenta a obtenção da Certificado de Aptidão Profissional (CAP) Obrigatório para motoristas profissionais de veículos pesados. A federação tem reservas quanto à possível expansão da sala de aula virtual como principal canal para a realização deste treinamento.
Embora o FROET apoie a digitalização no meio acadêmico, ele alerta que um modelo predominantemente online pode comprometer os princípios fundamentais da PAC: promover a segurança rodoviária, profissionalizar os motoristas e melhorar a eficiência do transporteDe acordo com a associação de empregadores, o treinamento não regulamentado diminuiria o valor educacional do CAP, transformando-o em um mero procedimento burocrático, sem impacto real nas habilidades dos motoristas.
Riscos da PAC online e a necessidade de controle regulatório
Entre as principais deficiências que o FROET associa ao modelo obrigatório ou virtual maioritário da PAC, destacam-se:
- Menos atenção e perda de qualidade do treinamento, especialmente em sessões longas ou quando o aluno está envolvido em atividades paralelas.
- Formação passiva, com pouca interação entre instrutor e aluno.
- Dificuldade em verificar identidade e presença, aumentando o risco de fraudes nos processos de treinamento.
- Lacuna tecnológica, o que limita a participação de alunos sem acesso a dispositivos apropriados.
- Falta de critérios claros quanto ao percentual legal de aulas online, causando incerteza jurídica e divergências entre os centros.
Diante desta situação, a FROET solicita que, caso o uso da sala de aula virtual se generalize, seja implementado mecanismos fortes de monitoramento e controle que garantem a qualidade da formação. Caso contrário, a associação patronal propõe a substituição do curso CAP inicial por um teste oficial de avaliação externa, semelhante a outros modelos já existentes no campo dos transportes.
Em relação ao CAP para educação continuada, a organização é favorável ao uso limitado da sala de aula virtual, desde que os conteúdos não abordem assuntos de segurança rodoviária ou uso do tacógrafo, considerado essencial e crítico.
Propostas para resolver a escassez de motoristas no transporte industrial
Além de abordar o modelo de formação, a FROET propôs uma série de medidas específicas para aliviar a atual escassez de motoristas profissionais, um problema que afeta diretamente as operações de empresas de transporte e oficinas especializadas em veículos industriais.
As propostas incluem:
- Revisão do Acordo Interministerial de 15 de novembro de 2023, que atualmente apresenta incompatibilidades que dificultam o acesso à profissão.
- Simplificação da troca de documentos de identidade estrangeiros, um processo que em muitos casos envolve atrasos inaceitáveis para as empresas.
- Aumento do número de exames para a carta de condução, a fim de encurtar os tempos de espera, que atualmente ultrapassam oito meses em alguns territórios.
A FROET também solicita que o Ministério dos Transportes realize uma Estudo urgente sobre o número de candidatos bloqueados por falta de datas de provasEssas informações nos permitiriam avaliar com mais precisão o problema real de acesso ao mercado e adotar medidas de reforço imediatas.
A federação também defende uma renovação estrutural dos conteúdos da PAC de acordo com os critérios estabelecidos no Diretiva (UE) 2022/2561. O objetivo é priorizar módulos diretamente úteis à atividade do motorista, melhorando assim a adaptação prática da formação às reais exigências do setor do transporte pesado.
Um apelo ao setor: qualidade da formação e renovação da mudança geracional
A posição da FROET destaca dois desafios principais para o ecossistema de transporte industrial: garantir a treinamento eficaz para motoristas y promover a incorporação de novos profissionaisPara isso, será essencial um equilíbrio entre inovação tecnológica, rigor pedagógico e medidas políticas flexíveis que facilitem o acesso à profissão sem comprometer a segurança e a qualidade do setor.
fonte: Todos os transportes